Porque Portugal continua a arder ?

Cerca de 506 mil hectares ardidos em Portugal. 250 mil só em Outubro.

  Depois da tragédia de Pedrógão Grande que queimou 53 mil hectares, em Junho deste ano, os ventos fortes provocados pelo furacão Ophelia vieram agravar ainda mais uma situação que todos os anos preocupa os Portugueses. Segundo a Autoridade Nacional de Proteção Civil o Domingo de 15 de Outubro de 2017 foi o pior dia do ano em termos de incêndios no país, ao registarem-se mais de 440 incêndios florestais activos, 33 dos quais de grande dimensão, resultando em 44 vitimas mortais e 71 feridos. Lousã, Leiria, Seia, Gouveia, Arganil, Vale de Cambra, Sertã e Monção foram as zonas afectadas.

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  Os incêndios florestais são um problema anual que ocorre na altura de chegada do calor, deixando para trás um rasto de destruição. Um pouco por todo o país os fogos destruíram não só zonas florestais, mas também casas e zonas industriais. Depois de muitas questões terem surgido acerca das causas reais dos fogos, e surgindo a possibilidade da mão humana ser uma delas, especulações apontam o dedo a interesses políticos motivados por questões económicas. A 18 de Outubro a Ministra da Administração Interna apresentou a sua demissão, que foi aceite pelo chefe de Governo António Costa, aguçando ainda mais o sentimento de indignação já possuído pela população, que organizou recentemente uma manifestação a exigir medidas de prevenção e proteção da floresta.

 

  A principal preocupação dos cidadãos é a falta de meios de combate aos incêndios florestais. Segundo declarações do Presidente da Liga de Bombeiros Portugueses, Jaime Marta Soares, a proteção civil reduziu os meios de combate aos incêndios (materiais e humanos) em 85% precisamente quando se antecipava uma mês de risco. Jaime Marta Soares apontou o dedo ao comando da Associação Nacional de Proteção Civil e « ao Governo que o nomeia », desafiando « cada um a fazer a leitura das suas responsabilidades » perante « o autismo absolutamente censurável » e a « preocupação economicista » num país onde « há [dinheiro] para tudo menos para as estruturas de proteção civil ». Existem relatos de comunicações dos bombeiros a pedir reforços, sem sucesso, que dizem que nada mais podem fazer perante as chamas que consumiam as habitações.

  Mais um ano em que falhou o planeamento e em que um governo não foi capaz de agilizar medidas de prevenção eminentemente necessárias e a história repete-se. Mais um ano em que se perderam bens, mais um ano em que se perde património florestal, mais um ano em que se perderam vidas. E as questões sobre como um país dito desenvolvido pode continuar a deixar que isto aconteça continuam sem respostas.

 

Joana Peixoto, 27 anos

Licenciada em Relações Internacionais

 

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